Jornada Indeterminada


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          Por pouco pisei perto

.    De um besouro tomando chá

.          Borbulha à céu aberto

.              Sua sopa com cajá

 

Povo, pare e pense

.     Pense e pare

.    Pão com ovo!

. De novo

Há rainha se tornando má

.           Mas sem saber ao certo

Se é a saída ou se ainda será

 

.                    E então, me sai do chão um leitão

.                                                           Tão de ficção

.                                                                   Farejando

.                                Cores de um jardim alado

.                                    Com convicção

.                                             Avistando

.                                               Flores que o mantêm corado

.                                                                     Sem intenção

.                                                                 Provocando

.                                         Dores nos que abalados

.                                                         Estão

 

Cai a responsabilidade, assim, por fim

.                                Toda em cima de mim

.    Um mero visitante

.         Não obstante

O responsável é solúvel!

.    E há probabilidade…

.       De ter dissolvido

 

.                     Ecila, A Dama

.   Saberia convencer no julgamento

. E poderia conceder-me um momento

Para provar que também sou confiável

.          Mas o Norte está favorável

.             Aos tons da Rainha Azul

.              E minha Ecila adorável

.               Agora caminha ao Sul

 

Promises

Young love
Bloomed inside
Childhood friends

They promised each other
They would never grow apart
They would always be together
They would be his and hers forever

Promises made during trusting gazes
Promises made between tender kisses
Promises made behind a hidding spot
Promises made before

Too early

Too naive
Too young
Young love
Gave birth to another child

He had to find a job and found relief in being away
She had to drop school and dropped tears almost everyday
And those beatiful promises
Became silly words only fools say

O início

— Olá! – A jovem aspirante a escritora saúda os leitores, acenando brevemente com as mãos.

— Eu sou Scarlet Stain, e este é meu novo blog. – Confusa sobre como iniciar a postagem inaugural de seu mais novo blog, acaba por, praticamente, repetir a introdução de seu primeiro vídeo para um canal de YouTube que nunca foi ao ar.

Scarlet é criadora de inúmeros projetos… inacabados. Mestra em procrastinação, demasiadamente perfeccionista e possuidora de uma mente criativa bloqueada. Acreditou que dessa vez seria diferente; porém, passados mais de dez dias desde a criação do blog, a única postagem disponível ainda era a automaticamente gerada pelo site.

— Ow! To aqui me esforçando pra fazer a postagem. Te chamei pra me ajudar, não pra ficar me criticando! – Claramente irritada, Scarlet desvia o foco dirigindo sua fala ao narrador. Tal atitude contribui, apenas, para mais perda de tempo.

— Para com isso, ou eu te chuto daqui! Não preciso de narrador. Isso aqui é um blog. Esse texto é meu. Posso conversar com meus leitores. Posso usar primeira pessoa, linguagem informal, o caramba! Posso até bugar a pontuação! Mas, isso me agoniaria demais, então, não…

Tamanha sua ingenuidade, Scarlet é incapaz de perceber que a maioria dos leitores simpatizaria mais com um narrador crítico que com uma personagem cujas primeiras falas caracterizam um ataque de pelancas.

 
SAI DO MEU TEXTO!

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A autora continuava determinada a publicar sua postagem inaugural. Contudo, o clima em The Scarlet Stain manteve-se pesado até a chegada de outro narrador; figura que ela decidiu conservar, por receio de parecer pessoal demais.

Scarlet costumava se incomodar bastante com o tipo de escrita utilizado pela maior parte dos blogueiros que encontrava em suas navegações pela internet. A escrita extremamente informal e pessoal. A mera transcrição da fala, sem lapidação. Isso ocorria devido a seu passado escolar, no qual os estudos de gramática normativa, inusitadamente, a atraíram e acabaram marcando certo tradicionalismo em seu pensamento em relação à língua. Apesar disso, durante o curso de Letras, a concepção que tinha sofreu transformações, tornando-a mais tolerante.

— Assim eu pareço uma chata… – Comenta, em tom entristecido.

— Como vou estabelecer conexão com os leitores se não gostarem de mim? – Questiona, demonstrando sua excessiva preocupação com a recepção do blog.

— Excessiva… – Pensa alto. — Nah, tá bom, então. Acho que pelo menos minha família vai gostar, né?

Apesar de ainda não estar totalmente segura, a jovem estava disposta a arriscar e começar a publicar suas produções criativas. Já havia divulgado alguns textos no Facebook e obtido resposta positiva, o que a motivou. Porém, a criação do espaço virtual específico para suas publicações estava sendo bem mais difícil do que ela imaginava.

— Acho que eu devia mudar essa imagem, de novo. – Diz, observando o banner.

Nos primeiros dias, Scarlet passeava pelas páginas do blog em construção, analisando. Como se fosse mobiliar uma casa, tentava imaginar como seus escritos seriam dispostos no espaço. Mantinha-se na observação, somente, pois considerava tarefa árdua preencher as páginas com palavras de relevância. Tinha dificuldade em escrever.

— Parece que meu pensamento funciona em outra dimensão. Irônico, né? Eu querer ser blogueira-escritora, whatever, sendo toda travada pra escrever. – Relata.

Apesar disso, já estava cansada de ser impedida por si mesma e decidiu que, mesmo que fosse difícil e demorasse, este blog entraria para sua humilde lista de projetos executados.

— Ufa! Acho que assim está bom. – diz, passando seu braço pela testa, para retirar o suor, e dando uma última olhada no texto. Em seu rosto, um sorriso aliviado.

E assim encerra-se a primeira – de muitas – postagens de The Scarlet Stain, a pequena manchinha escarlate, que pretende crescer e espalhar sua cor até onde puder alcançar.