Pensamentos de chuveiro

A água cai e o pensamento vai. Vai voando, vai lavando. Que bom que a água não lava o pensamento, porque até as impurezas pensadas podem ser bonitas. É claro, isso depende do teu entendimento de beleza. Ver beleza na impureza…

…se eu completar com um “dureza”, você vai rir?

Vai achar idiota e vai mandar eu ir tomar banho. Mas, bem, eu já fiz isso.

Água e pensamento são bem parecidos, né? Ambos são hiperativos. A água não para quieta dentro do copo. Se transforma, evapora. Põe dentro da garrafa… ela ainda tenta sair.

Ou você acha que não é mais água se ela muda seu estado?

Se meu pensamento ‘muda de estado’, eu ainda sou eu?

 

Escrito em maio de 2014 e postado, originalmente, no Nyah!Fanfiction.

Incontinência reflexiva

Eu tava ali mijando

Me percebi pensando

Nos litros de resíduo que caem fora da privada

Se passando por água potável

E no tanto de pessoas

Que lambem toda a beirada

Achando que é coisa admirável

 

Me espanta o tanto de idiotice

Assinada por: Lispector, Clarice

Assassinada por tanta burrice

De um povinho que não se importa

Em manchar o nome de quem não conhece

Esse povinho pior que porta

Pra quem você explica, significa e verifica

E “eles vira”, já esquece

 

Não estou falando de gramática

Não torne a leitura dramática

Sei que já fizeram essa associação

Mas eu gosto e repeti

Sei que não tenho maestria na ação

Mas quero ver o texto fluir

 

Voltando aos tolos…

Quem dera eles fossem mais como no Tarô

Ou como nos livros lidos pelo meu avô

Eu quero ser um tolo daqueles!

 

Mas se fingir de retardado pode machucar

Ter seu entusiasmo esmagado até o choro arrancar

Porque ninguém defende o tolo

Do rei

 

Lembrei:

Amanhã tem compromisso

Continuo submisso

A essa contagem falsa do tempo

 

Lutei

Para continuar dormindo

Para continuar sorrindo

Naquele sonho de domingo

Mas o cachorro continua latindo

E perfurando meu ouvido!

 

O que eu ganho criticando?

Me aproveito do contrabando

Eu tô sendo contra o bando?

Não

 

Eu não tomo contraste

Me põe longe desse traste

E trate de descontrair o ambiente

E me deixar ciente

De que posso descontrair meus esfíncteres anais

 

Eu não tomo refrigerante

Me tira dessa festa entediante

E levante, para eu nem perceber aquele camarada

Que tá olhando minha namorada

Não é porque ela mostra as pernas que tem que ser secada

 

De novo no banheiro

Algo tão corriqueiro

Aí olho no espelho

Devia cortar o cabelo…

Devia?

 

Só que não tá me incomodando

Eu não tô trabalhando

Não tem ninguém me pressionando

E não tem ninguém me impressionando

 

Sabe, eu devia era usar uma peruca

Fazer cosplay de Urushibara Ruka

E ser feliz no meio dos que sabem de quem tô falando

 

Mas o que eu procuro? Um posto seguro?

 

Em Porto Seguro, será que é seguro o que eu procuro?

Mas o que é seguro?

 

Eu nem tenho seguro…

Nem procuro ter

Se eu morrer,

Vão ter que se segurar

Pra não ir lá, abrir o caixão e me matar

 

Você me pergunta do foco

Te respondo com um “fuck you”

Eu não pretendia ter

Quer objetivos? É meu TCC que você tem que ler

Mas, espera… esse eu ainda nem comecei a fazer…

 

E eu termino assim

Tudo aqui é baboseira, sim

Mas é um pouco de mim

Meu pensamento vira seu

E eu reafirmo meu eu

A minha existência na sua compreensão

 

Aquela imagem dadaísta passa pela cabeça

Vem a vontade

Lembro agora de Kant

Não obstante

Que obsta… leio: “que bosta”

E aperto o pause nessa imensidão

 

Eu preciso mijar, de novo

 

E vou…

E como tudo começou

Acaba (por hoje)

Porque bebo muita água

 

Escrito em maio de 2014 e postado, originalmente, no Nyah!Fanfiction.