Trabalho de Conclusão

Banca cancelada pois o aluno cometeu suicídio.
Sofria por ser incapaz de terminar seus projetos e cumprir com suas obrigações, provocando desgosto naqueles que mais admirava. Desgosto mascarado por sorrisos e mensagens de motivação: sempre o davam uma segunda chance.
Milionésima segunda. Já entediados, mas ainda tentando se convencer que agiam por esperança; quando, na verdade, era apenas por hábito.
Sofria por falta de punição. Desejava a própria execução. Queria se decapitar, mas desistiu da ideia logo no planejamento, que estava muito difícil. Apenas se lançou de cima de uma ponte, então. Iludido que conseguiria, finalmente, dar fim a alguma coisa. Morreu.
Mas, falhou: frustrou ainda mais aqueles que o suportavam, transformando seu tédio em eterno pesar.
De novo, falhou: teve seu caso registrado em palavras e prosseguiu no tempo assombrando os outros como um morto-vivo imaterial.

Nota final:   .

Falhar por desistência de si mesmo é a única falha imperdoável.

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Reflexões sobre maternidade

A fêmea humana só deixa de ser cria quando se torna mãe. Não necessariamente de sua própria cria, mas de irmãos, parceiros, amigos, até mesmo daqueles cujos genes possibilitaram sua existência. Maternidade, na maioria das vezes, forçada sobre ela.

O ideal é ela primeiro tornar-se mãe de si mesma. Caso isso não ocorra, a maternidade virá forçadamente e ela não saberá como agir, pois ainda é uma cria – com responsabilidade de criar outra.

Algumas conseguem tornarem-se mães de si mesmas sob essa maternidade forçada. Porém, a maioria que ainda não conseguiu deseja ser sempre cria e acaba perdida por não poder.

Um macho, no entanto, é sempre cria. Isso que o dá a ilusão de liberdade e força. A incompreensão das características de mãe. O macho pode tornar-se pai, mas um pai é apenas uma tentativa de reprodução da figura materna. E não digo isso como insulto. Pais são igualmente importantes e sei bem a falta que faz um.

O fato é que um macho humano deve almejar ser mãe, apesar de nunca conseguir. Seguindo esse caminho, conseguirá ser verdadeiramente pai. De si próprio e de outros. Um macho que não procura ter características maternas é incapaz de ser pai, pois seu instinto de cria se sobrepõe a tudo. Quando cai sobre ele um tipo de paternidade forçada, o conflito interno é ainda maior que o da fêmea, pois ele é e sempre será cria. Desse modo, parece mais injusto no caso do macho.

A despeito de tudo isso, a Natureza é Mãe e tem plena consciência de suas ações. As dificuldades que ela deixa suas crias passarem são puramente meios de fortalecê-las.

Cloudy tree

She is born from the ground. Her roots spreading deep inside the Earth.
But she goes beyond the surface and desires to reach the skies. Those fascinating colors. She wants all of them. And is most fascinated by the white of the clouds which contains them all together.

Nevertheless, she cannot ascend as much. Gravity makes sure to have her grounded still.
And she starts feeling trapped. Trapped by her own Nature which physically restrains, yet gives her the possibility to think she could live happier if she was able to fly and leave everything else behind to give in to the Unknown.

She becomes so frail. So frail she embraces the ground, wishing to just melt there and disappear.

However, when she reaches the infernal heat of the Earth’s core, she can understand:
she belongs right where she is, between earth and air; and she should be thankful for being part of both.

Then, she rises again. Craving for, but also comprehending the limitless sky.

And so she breeds her own clouds, completing herself

and her world.

Sozinhos não somos

Por mais pacífico que pareça o retiro em isolamento total, ele é antinatural. Não existe paz se não existir a possibilidade de guerra. Não existe possibilidade de guerra sem o outro. Não existe paz sem o outro.
Não que a possibilidade de guerra e as guerras que realmente acontecem sejam “boas”, mas, se não existirem, o que deveria ser paz se torna um nada. Sem o outro, os sentimentos, os pensamentos, as ações, e a existência do Eu como um todo se tornam um nada. Ou seja, negar o outro é cancelar sua própria existência.
Existência é um complexo, uma engrenagem de medidas indefiníveis, infinita. Um todo que é um. Partes do mesmo. Desde as menores partículas descobertas pela ciência humana, até o que só temos a capacidade de cogitar que existe, de tão fora do nosso conhecimento que está.
O outro não é apenas aquele companheiro de espécie: tua mãe, teu vizinho, aquela celebridade fútil ou o atual presidente/etc de teu país. O outro é também cada outra parte do teu próprio corpo, do teu próprio tempo, do teu próprio destino. Cada sinapse aí que neste exato momento que não está acontecendo em função do entendimento deste texto, mas de OUTRA coisa. Teu pulmão é o outro do teu cérebro, por exemplo. Separe os dois e tente viver. Impossível. Inconcebível. Você, teu cérebro e teu pulmão já não “são” mais. “Você” já não “é” mais. Morte seguida de inexistência. E por quê inexistência? Pela negação da existência, que é o todo. Que é o Eu, o você e o outro.
Só sobrevive à Morte, digamos assim, quem se permite transformar. Para isso, é necessário ter a consciência do funcionamento do todo.
Negar o outro é negar a si mesmo. Portanto, sozinhos nem somos.