Carta de aniversário

Hoje é segunda-feira. Uma rara segunda-feira em que acordei bem.
Faz um tempo que minha rotina tem sido estar fora de combate nesse dia da semana. Mas, hoje sinto como se eu tivesse vencido vários rounds seguidos – e ainda estivesse com a barra de especial cheia.
Por quê?
Mais do que descobrir o motivo, eu queria que você visse como estou.
Talvez esteja “vendo”. Talvez você seja grande parte do motivo.

É o oitavo dia de janeiro. Seria teu aniversário e faria cinquenta e oito anos. A internet diz que, de acordo com teu signo chinês, teu número da sorte é o 8. Olhei o horário agora e era 16:28… A incidência do número me deixou perplexa.

Gostaria de conversar contigo e descobrir se realmente era teu número da sorte ou se ao menos gostava dele.
Gostaria de conversar contigo e pedir perdão por não saber a data de teu nascimento até o fim de semana passado.
Gostaria de pedir perdão por não ter nenhuma recordação de passar teu aniversário contigo.
Gostaria de pedir perdão por não lembrar de ter dito “parabéns”, nunca.
E, acima de tudo, peço perdão por nunca ter dito claramente, olhando nos teus olhos, com toda minha força vital:

“Eu amo você, pai”.

 

Agora é impossível…

Há 13 anos que é impossível.
Curiosamente, treze é o número da Morte.
A suprema inevitável que te levou de mim tão cedo.

Mas, sabia que nós fizemos as pazes?
Ela é extremamente sábia e me ensinou muitas coisas. Não tenho mais ódio dela, apesar de toda dor que provoca.
Apesar de todo sofrimento, toda injustiça, toda punição, toda maldição, toda negatividade que caiu sobre mim, acredito que estou seguindo em um caminho bom.
Acho que ficaria orgulhoso.

E gostaria que soubesse que decidi me inspirar em você. No você que eu conheci. O você que foi um pai perfeito para mim. Mesmo que o conceito de perfeição aqui tenda ao fantasioso. Saiba que o tenho como um verdadeiro herói – e do meu arquétipo favorito.

 

Nunca. Nunca mais.
De forma alguma poderei dizer nada disso diretamente.
Mas deixo escrito com puro sentimento para que seja compreendido, ao menos, pelas partes de ti que ainda vivem em teus descendentes e em todos aqueles aos quais um dia fez bem.

Ceverino Riveros Lopez, Rafe, Ralph… meu querido pai…

Sempre! Para sempre!
EU AMO VOCÊ!

 

Da sua pequena princesa,
Scarlet Hezel.

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